As verdadeiras amizades não se alimentam nem vivem nem tampouco se fortalecem de um contacto contínuo e umbilical, não há necessidade. Porque essas ditas amizades, as verdadeiras, são construídas, para além de outras coisas, de segurança. Da segurança de sabermos que a outra pessoa nos tem no pensamento e que não gosta menos de nós por não falarmos a cada santa meia hora. E que sente o mesmo.
Não acho que alguém tenha uma vida de tal forma preenchida de factos interessantes que implique passar parte do tempo a contar ao amigo ou à amiga o que se fez e o que aconteceu durante o dia, as vezes que se fez xixi e o que se almoçou.
Falo, claro, daquelas pessoas que nem sempre se vêem, porque aquelas que estão em contacto todos os dias acho ainda menos necessário.
Não que não seja bom ou saudável falar das coisas e de tudo, mas não de uma forma obsessiva, quase que obrigada. Tem de haver um à-vontade, um motivo, porque se fizermos disso uma rotina as coisas perdem valor, habituamo-nos a algo que acabará por não fazer tanto ou o mesmo sentido.
Porque as conversas têm (de ter) valor e peso, têm de ser consequentemente construtivas e proveitosas.
Tal como as verdadeiras amizades.
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Small talk stinks
sábado, 24 de Outubro de 2009
Are you agree? Fuck you MTV!
Eu juro que às vezes não me percebo.
Por muito que abomine a MTV portuguesa insisto em, não raras vezes, deixá-la invadir-me olhos e ouvidos assim à bruta, presenteando-me, sempre, ora com os programas mais estúpidos que só servem para o embrutecimento da população, ora com músicas dos mais aclamados rappers (e) analfabetos, sejam eles nacionais ou de fora.
O estúpido é que, apesar de saber que dali já não há-de vir nada produtivo ou minimamente interessante, passo por lá sempre na vã esperança de que isso tenha mudado.
Redondo erro.
O melhor, mesmo, é ir arrumar a cozinha.
Matematicidades da vida 6
Às vezes, por muito que nos seja difícil, devemos fazer o esforço de pisar cada degrau e pedaço de chão que se segue, de experimentar cada novo episódio que nos aparece, nem que seja por um só bocadinho.
No fim temos a certeza de que não deixámos nada para trás.
O facto de passarmos parte da tarde no paleio com dois soberbos seres e aromatizarmos isso com uma natureza que nos deixa em transe faz-nos chegar a casa e adormecer assim que chegamos ao sofá. O que podia não ser grave se não fossem seis horas da tarde. E se não conseguíssemos dormir apenas cinco horas e não acordássemos à uma da manhã com umas securas que, igual, só no deserto da sara. E se não fossem agora cinco da manhã e tivéssemos dormido mais qualquer coisinha.
Mas até chega a ser giro.
Porque é diferente.
Pelo menos para mim.
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Wake up little sparrow
Às vezes durante o sono despertam-se coisas alheias a nós, sem percebermos bem o porquê ou o como. E a verdade é que, independentemente de estarmos em standby para a vida, ela passa por nós de mansinho, tanto que nem damos conta. Pelo menos durante o sono, porque ao acordarmos vemos que há uma doce desordem que, de uma outra outra maneira, alterou aquilo que tomámos como imutável por ser já tão perfeito. São esses pequenos grandes despertares que nos aquecem as pontas dos dedos no Inverno e nos refrescam com gelo no Verão.
Confortam-nos.
domingo, 18 de Outubro de 2009
quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Confesso 2, e chega
Outra coisa é eu estar deserta por interacção na internet (nada de sexo virtual nem nada dessas coisas, tirem daí o sentido) e nestas alturas estar tudo apático.
Quando sou eu estar apática e desinteressada são eles a querer interacção.
É um mundo cheio de incongruências, é o que é.
Confesso
Fico mesmo frustrada quando escrevo qualquer coisa aqui e momentos depois recebo um mail e fico contente porque penso "fixe! Comentaram-me o blog!" mas depois vejo que afinal o assunto é "Prémio Nobel da Paz - Descontos até 20%" e fico frustrada.
Espécie de matematicidades da vida 4
É um facto que quando eu estava apaixonada pelo M. os meus textos eram muito melhores.
Música do dia
Eu gostava de ser como o pessoal mais velho e dizer que isto me faz lembrar os meus dias de adolescente fora da lei e desregrada, sem rei nem rock, em que passava os dias a fumar ganzas e a ouvir guns n roses, mas não posso.
À falta disso, fico-me por um: é do caralho!
Memassério.
segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
domingo, 11 de Outubro de 2009
Matematicidades da vida 3
Tudo, mas tudo, é uma questão de habituação, de acomodação.
Há qualquer coisa que muda, há alguém que estranha, mas de tanto lidar e conviver com o diferente, molda-se.
É como dizia o outro: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se."
O que pode ser bom.
Mas também pode ser muito mau.
A Maldade
Homem, nunca provaste o teu sangue, quando por acaso te cortaste num dedo?
É bom, não é?
Porque não tem gosto nenhum.
Atenção, este post contém asneiras. Se tens mais de 18 anos, força aí, senão, puta que pariu
Eu juro que amanhã mato os filhas das puta que dedicaram o serão de hoje a distribuir merdas de buzinadelas pelas ruas de Sesimbra afora como se o amanhã não existisse.
Se fosse para trabalhar até às 11 da noite, 'tá quieto ó preto, mas como é para festejar a vitória do querido partido que tanto faz por eles, então 'bora lá fazer uma fila de casamento e apitar até gastar o gás ou lá o que é a esta merda deste chaço.
VÃO DORMIR, CARALHO!
sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
São, neste momento, 5.53h
e eu desde as 3 e meia da manhã que não consigo dormir. Mesmo depois de um litro e meio de água, setecentas e quarenta e oito voltas na cama, 24 músicas dos Mão Morta e 2 da Grace Jones.
Acho que foi a primeira vez que isto me aconteceu, até porque já toda a gente deve saber (e se não sabe, devia) que a arte de bem dormir é sublimemente praticada por mim.
De maneiras que estou desde essa dita hora embrulhada em catatónicos pensamentos, reviravolta sim, reviravolta não. Cheguei até a baixar o som do mp3 para me ouvir pensar melhor, mas a única coisa que consegui notar foi o barulho cansado do carro do lixo lá fora. E depois um autocarro.
É giro a vida desta vila começar às 5 e meia da manhã, mais coisa menos coisa. Podia começar às 4, ou às 6, mas não, decidiu ter início ali mesmo a meio da madrugada.
Para o despertador dos meus pais a vida começa por volta desta hora (6 e um), coincidindo com o momento em que, com um movimento destro, eu apanho um malandreco de um mosquito que andava a passear em frente ao monitor, impedindo-me de concentrar no mais importante - que até poderia ser dormir, mas não é - que é escrever este belo textículo. Já para os meus pais a vida só começa daqui a sensivelmente meia hora. (E o despertador voltou a tocar precisamente agora - 6 e 6.)
E isto tudo para quê? Não sei, mas também não me peçam para pensar, porque independentemente de já estar acordada há 3 horas, ainda não activei o cérebro, facto que se pode depreender claramente a partir de uma leitura diagonal desta composição.
Deixem-me também explicar o porquê de levar 8 minutos a escrever 10 linhas de texto, e mais 5 para 4 linhas - é que se eu teclar muito depressa faço muito barulho, e ainda não são 6 e meia e os meus pais não podem acordar nem começar a viver antes do tempo, dado que estou na sala e a porta do quarto está aberta e eles ouvem porque não são como eu e têm o sono levezinho.
Olha! A minha mãe acordou... Raios! E agora levantou-se o meu pai.
Reparem que não disse que o meu pai acordou, disse só que ele se levantou, porque só daqui a... precisamente agora... é que ele acorda.
E vou confessar-vos uma coisa, eu estou desde que acordei a pensar no que vou vestir hoje, porque as minhas calças pretas já estão arranjadas e como eu gosto muito delas e estava cheia de saudades de as vestir tenho de pensar numa boa fardatura para as complementar.
E outra: estou completamente nua da cintura para cima, o que pode ser bom.
Mas também pode ser muito mau.
Agora tenho de inventar qualquer coisa para preencher o tempo que os meus pais vão demorar a sair de casa para depois eu poder estar à vontade para pôr a música relativamente alta a tocar ('ma cagar p'ós vizinhos, que quando eles estão a espirrar e a ouvir as tardes da júlia muito alto eu nunca digo nada, já para não falar das noites de sexo desenfreado que o casal que de vez em quando [se] vem nas férias efectua em horário nobre) e ir tomar a banhoca do trimestre.
Acho que vou jogar aos ciclistas maníacos, que aquilo é giro.
Despeço-me com amizade, até uma próxima.
sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
...
Há pessoas tão... reticentes...
Fazem-me ficar expectante de algo mais depois daquele enfadado suspiro, naquela pausa de raciocínio entre uma e outra coisa. Têm a capacidade de me colocar numa ponte entre o dito e o por dizer, entre aquela incógnita e inconsciente vontade de vomitar o que de mais teriam para dizer.
Mas não, recolhem-se, abrigam-se e encurralam-se naquele momento suspenso no ar e engolem o que, por ventura, teriam de dizer.
Acomodaram-se à reticência que é a sua vida.
É chato, isso.





